quinta, 16/04/2026, às 11:04

Veja 5 dicas de músicas com críticas sociais para utilizar como repertório na redação

Os estudantes em preparação para o vestibular já sabem que produções como filmes, séries e documentários podem ser usadas como repertório em suas redações. Porém, há um recurso igualmente potente que muitas vezes é deixado de lado: as músicas com teor crítico-social. Ao longo do tempo, inúmeros artistas transformaram suas letras em instrumentos de denúncia, contestando injustiças, rompendo padrões estabelecidos e estimulando reflexões sobre questões relevantes da sociedade.

Essas músicas com críticas sociais são repertórios extremamente ricos para a redação do ENEM, pois dialogam diretamente com problemas reais da sociedade brasileira e mundial. Quando bem utilizadas, elas demonstram senso crítico e capacidade de interpretação, competências altamente valorizadas na prova.

Grandes vozes do Brasil e do mundo abordam em suas letras temas como desigualdade, racismo, violência, e exclusão social. Esses assuntos aparecem com frequência nas propostas de redação do ENEM, o que torna esse tipo de repertório ainda mais relevante. Outro ponto importante é a escolha adequada da referência. A música precisa ter relação direta com o tema da redação. Não basta inserir o repertório de forma aleatória; ele deve contribuir para a construção do argumento. 

O CEV+CPC Vestibulares separou 5 dicas de músicas que podem ser utilizadas nas redações como referências socioculturais.

Maria da Vila Matilde — Elza Soares

Cadê meu celular?
Eu vou ligar pro 180
Vou entregar teu nome
E explicar meu endereço

A música Maria da Vila Matilde, interpretada por Elza Soares, tornou-se um importante símbolo de denúncia contra a violência doméstica. Ao transformar a denúncia em tema central da música, a canção contribui para ampliar o debate público sobre a violência contra a mulher e sobre a importância de políticas públicas de proteção. Dessa forma, a obra também reforça a necessidade de empoderamento feminino e de enfrentamento da cultura de violência de gênero.

War — Bob Marley

Até que a filosofia que sustenta uma raça
Superior e outra inferior
Seja finalmente desacreditada e abandonada
Haverá guerra

A letra da música War é baseada em um discurso histórico do imperador etíope Haile Selassie, apresentado em 1963 na Assembleia Geral das Nações Unidas. Na canção, Bob Marley denuncia as desigualdades raciais e a persistência de ideologias que defendem a superioridade de determinados grupos. A música reforça a ideia de que enquanto essas crenças existirem, os conflitos e injustiças continuarão presentes no mundo.

Construção — Chico Buarque

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Outra música clássica de crítica social é Construção, de Chico Buarque. A canção narra o último dia de vida de um trabalhador da construção civil, retratando a rotina exaustiva e desumanizada de muitos operários. A estrutura repetitiva da letra reforça a ideia de mecanização da vida e da invisibilidade social desses trabalhadores. 

Imagine — John Lennon

Imagine que não há países
Não é difícil
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

A canção Imagine é uma das músicas mais conhecidas da história da música mundial. Nela, John Lennon propõe um exercício de imaginação: como seria um mundo sem fronteiras, conflitos religiosos ou disputas materiais. A música convida o ouvinte a refletir sobre a possibilidade de uma sociedade mais justa e pacífica, baseada na cooperação entre as pessoas e na superação de divisões ideológicas e territoriais.

Pretty Hurts — Beyoncé

Mamãe dizia: você é uma menina bonita
O que você pensa não importa
Escove seu cabelo, corrija os dentes
O que você veste é tudo que importa

A música Pretty Hurts aborda um problema recorrente na sociedade contemporânea: a imposição de padrões de beleza muitas vezes inalcançáveis. No clipe, Beyoncé interpreta uma candidata a um concurso de beleza que se submete a pressões extremas para se encaixar nos padrões exigidos.

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